Professor indiciado por ameaça e assédio sexual contra alunas em Joinville é demitido

Testemunhas de defesa estão sendo ouvidas nesta semana

Professor indiciado por ameaça e assédio sexual contra alunas em Joinville é demitido

Testemunhas de defesa estão sendo ouvidas nesta semana

Yasmim Eble

O professor indiciado por ameaça, perseguição, violência psicológica contra mulher, assédio e importunação sexual contra alunas, Elisandro Lotin de Souza, foi demitido na última semana, em Joinville. 

Segundo a Faculdade Guilherme Guimbala (ACE), o professor foi desligado da instituição. Na nota, a faculdade relata que a motivação da demissão não será divulgada. 

Confira a nota completa:

“O docente em questão foi desligado da Instituição, quanto aos demais questionamentos esclareço que tais informações, dizem respeito única e exclusivamente às partes envolvidas, empregador e empregado, em especial quanto aos motivos da demissão, sendo que o empregador está impedido legalmente de divulgar informações relativas ao desligamento de seus empregados, sob pena de vir a ser demandado e responder judicialmente por tal divulgação, nesse sentido, espero que compreenda as referidas considerações!”

Segundo o delegado da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami), Pedro Alves, as testemunhas de defesa estão sendo ouvidas nesta semana e Elisandro será interrogado. A denúncia foi entregue ao Ministério Público, mas retornou para a DPCAMI. 

Após ouvir o acusado, serão finalizadas as diligências requeridas pelo Ministério Público e pela defesa. A defesa do professor foi procurada, no entanto, até o fechamento da reportagem não obteve retorno.

Sobre o caso

Em uma matéria dada em primeira mão pelo jornal O Município Joinville no início de setembro, foi relatado que o caso chegou ao MP-SC após a professora de Direito ministrar uma aula sobre assédio e outros crimes sexuais. Para a advogada, que já atuou na Polícia Militar de Santa Catarina, é comum que os estudantes a procurem após alguma aula para tirar dúvidas sobre casos pessoais ou de conhecidos.

Carla é professora da mesma instituição que o acusado. Ela ministra aulas de penal e criminologia. Após uma aula, uma das vítimas a procurou e relatou a situação que, ao primeiro ver da professora, era de um relacionamento tóxico. Mas ao longo da conversa, ela identificou ameaças e outras violações.

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Testemunhas

Pedro Alves, delegado do caso, explica que, em casos de envolvimento entre aluno e professor, só há crime quando há abuso de hierarquia. Por exemplo, chantagear uma aluna para sair por ter dado um ponto em alguma disciplina seria assédio.

Como o processo é sigiloso, a reportagem não teve acesso aos detalhes da investigação. Segundo relatos de testemunhas, as chantagens estariam presentes nas relações que o professor estabelecia com alguns estudantes.

A reportagem do jornal O Município Joinville conversou com testemunhas do caso. Uma delas afirma que o acusado teria ligado mais de 30 vezes para uma das vítimas e a procurado no ambiente de trabalho.

Outra testemunha, estudante da ACE, conta que o professor tinha o costume de responder stories (publicações que somem em 24 horas na rede social Instagram) das alunas e conversar no WhatsApp para se aproximar. “Não tenho nenhum outro professor tanto do sexo masculino quanto do sexo feminino que se aproxime tanto dos discentes”, comenta.

O jornal O Município Joinville procurou a defesa do acusado. Os advogados Danúbia Medeiros Bächtold e Guilherme Luciano Vieira, negam as acusações. Eles alegam que o professor “não ofereceu vantagem acadêmica, não ameaçou, não intimidou e não coagiu”. “O que se tem contra o investigado é apenas uma narrativa incriminatória”. A defesa afirma, ainda, que o professor chegou a ter uma relação extraconjugal com uma aluna, consensualmente, mas que não são atos criminosos.

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