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Conheça a história da joinvilense que criou dez filhos sozinha

Sem apoio do pai das crianças, Celma lutou muito e ainda luta para não deixar faltar nada a eles

Conheça a história da joinvilense que criou dez filhos sozinha

Sem apoio do pai das crianças, Celma lutou muito e ainda luta para não deixar faltar nada a eles

“Daiane, Maicon, Késia, Jean, Haissa, Lucas, Michele, Robson Vinícius, Maria Eduarda e Maria Neide. Errar os nomes, nunca errei, mas já me confundi; era pra chamar um e acabei chamando outro”. Sem a presença de um companheiro, Celma Alves de Lima, de 47 anos, deu de vestir e comer a seus dez filhos sem contar com a ajuda dos pais das crianças. 

Três dos filhos uma jovem de 19 anos, que está grávida, e duas meninas de 15 e 10 anos ainda moram com Celma, os outros, a maioria casados, já saíram de casa.

Com o salário que ganha como servente de limpeza, por vezes precisa fazer milagre para pagar todas as contas e ainda sustentar as filhas. 

“Tive dificuldades e tenho até hoje. Preciso dar o jeito de pagar aluguel, roupa para os filhos e calçados. Mas sempre fui atrás, né? Não pode desanimar”, diz Celma. 

Sempre enfrentando dificuldades financeiras, ela tomou uma das piores decisões da vida e teve de doar o sexto filho, na época com apenas dez meses, para a cunhada, irmã do pai de duas das crianças, que já é falecido. 

Celma teve a primeira filha, Daiane, aos 15 anos de idade. Sem a apoio da família e do pai da criança, teve de se virar sozinha para dar à luz à primeira filha. Aos 17 anos, teve o segundo filho, Maicon. Os outros oito filhos da mulher, que nasceram na sequência, têm entre dois e três anos de diferença entre eles. 

“Na época eu tinha problemas de saúde e não podia tomar anticoncepcionais. Meu companheiro não ajudava a me cuidar, e foi vindo um filho atrás do outro”, explica. 

Um ano antes de ter a última filha, Celma sofreu um aborto e ficou entre a vida e a morte. Ela sabia que era arriscado ter mais filhos, perto dos 40 anos, mas afirma que não tinha dinheiro para pagar a cirurgia de histerectomia. 

“Mesmo correndo risco de vida, deixei nascer. Quando ela nasceu, como tinha todo meu histórico lá no hospital, fizeram a cirurgia de retirada do útero”, conta. 

Recentemente, Celma mudou-se para o bairro Jardim Iririú. Com salário de R$ 1.200, precisa pagar R$ 800 de aluguel, cerca de R$ 300 em água e luz e paga aproximadamente R$ 370 em cesta básica, que deve durar um mês para a família. 

Arquivo pessoal

Além disso, a auxiliar de limpeza está entre os milhões de profissionais que tiveram  o contrato de trabalho suspenso por conta da epidemia do coronavírus. Com o acordo de rescisão, neste mês, recebeu menos de mil reais. 

“Vou precisar fazer malabarismo. Ontem (quinta-feira) já tinha acabado tudo dentro de casa. Nós já passamos fome, às vezes tem que decidir entre pagar o aluguel e ter lugar para dormir ou comprar comida”, diz. 

Lucas Mateus de Borba, 22, é o sexto filho de Celma, que foi criado pela tia. Borba tem consciência das dificuldades que a mãe biológica enfrentou e enfrenta até hoje. Para ele, a mãe é um exemplo de superação, que, desde cedo, o ensinou a vencer obstáculos. 

“Ela criou os filhos sozinha. A minha mãe biológica me fez entender desde cedo que a vida é difícil, e nunca vai ser fácil”, diz. 

Lucas Borba com a mãe, a tia Estela e o tio César / Arquivo pessoal

Borba chegou a conhecer o pai, que morreu em 2012 vítima de cirrose. Mesmo morando em casas separadas, acompanhou as dificuldades da mãe e, segundo ele, ainda sofre as consequências das atitudes do pai. 

Neste Dia das Mães, o maior presente de Celma será a visita de seus filhos e dos sete netos.

Mesmo sozinha, buscando ajuda em igrejas, cozinhas comunitárias e fazendo bicos de babá para complementar a renda, Celma segue lutando, seu amor pelos filhos a faz ter esperança em um amanhã melhor. 

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