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Conhecido como tio Oda, professor de matemática inspirou alunos

Odair Prado da Silva trabalhou por 33 anos nas salas de aula e morreu na quinta-feira

Conhecido como tio Oda, professor de matemática inspirou alunos

Odair Prado da Silva trabalhou por 33 anos nas salas de aula e morreu na quinta-feira

Fernanda Silva

“A educação é saída para tudo”. Foi acreditando nisso que Odair Prado da Silva dedicou 33, dos seus 62 anos de vida, às salas de aula. O professor faleceu nesta quinta-feira, 11, e a causa da morte ainda não foi confirmada. Deixou esposa de um casamento de 36 anos e três filhos. A paixão pela educação, porém, fez sementes. Nas redes sociais, vários ex-alunos deixam mensagens de carinho ao antigo professor, conhecido como Tio Oda.

Contratado pelo Estado, trabalhou nas escolas Gustavo Augusto Gonzaga e Plácido Olímpio de Oliveira, no Bom Retiro. Pelo município, deu aula na Max Colin, Avelino Marcante e Ada Santana. Porém, foi nas escolas Padre Valente Siomioni e Laura Andrade que ele trabalhou por mais tempo e criou raiz.

A filha Emanuelle Souza Prado da Silva, 33 anos, educadora infantil, conta que a família tem recebido muitas mensagens de carinho e relatos que falam da carreira do pai. “A gente sempre soube disso, mas ele era um ótimo profissional, um mestre mesmo”, afirma.

Por acreditar na educação como saída para tudo neste mundo, Silva era insistente, apoiava e instigava o potencial de cada estudante. No Facebook, ex-alunos lembram a dedicação do professor. “Foi o cara que fez entender que matemática era possível aprender”, comenta um deles.

“Eu estava ruim em matemática, pedia para eu ir mais cedo para a escola e me ensina na mesa da cantina. Explicava até eu entender”, conta outra ex-aluna. Os comentários variam  de “excelente profissional” a “um baita professor”, entre outros.

A família recorda que o professor de matemática chegou a trabalhar 60 horas por semana, lecionando durante a manhã, tarde e noite, para dar uma vida digna à todos. A esposa, Maria Aparecida de Souza Silva, 54 anos, trabalhava em casa e cuidava das crianças.

O pai é a inspiração para todos os filhos, diz Emanuelle. Ela atua na educação e agora estuda Serviços Sociais. Entretanto, não foi a única a seguir seus passos. A caçula Gabrielle, 24, fez pedagogia e o mais velho, Leonardo, 34, matemática.

Início no Paraná

Nascido em Guaratuba (PR), Silva pegava a balsa para ir até a faculdade, onde na época, se formou em matemática e ciências. Nos primeiros anos de profissão, deu aula até de educação física em uma escola do Paraná, onde o pai era inspetor.

Silva nunca disse aos filhos porque escolheu fazer matemática. Inclusive, teve dificuldades na matéria nos primeiros anos da escola. O avô de Emanuelle, além de inspetor, também tinha um bar, e era rígido na educação dos filhos. Uma vez, fez Silva comer um papel de tabuada. Emanuelle diz que o pai sempre contava a história dando risada.

Atualmente, Silva morava em Itapoá, cidade que passou a residir depois que se aposentou, em 2014. Antes disso, morou por anos no bairro Iririú, mas deu aulas em escolas de várias regiões do município.

Suspeita de Covid-19

Segundo a família, Silva tinha problemas com a diabetes e má circulação em uma das pernas e precisou passar recentemente por duas cirurgias. Nesse meio tempo, a pandemia do coronavírus começou e ele foi internado em casa, a fim de evitar ser infectado pela doença. Porém, feridas começaram a surgir no local e ele precisou ser levado ao hospital.

Ao ser liberado e retornar ao lar, começou a sentir sintomas gripais e voltou ao Hospital São José, onde morreu na tarde desta quinta-feira, 11. Um exame para Covid-19 foi realizado, mas o hospital ainda aguarda resultado.

Por conta da possível infecção, a família foi orientada a não realizar o velório. Para eles, uma situação triste, já que não puderam se despedir como gostariam. A troca de carinho entre os entes queridos precisou ser substituída. Agora, apenas palavras de conforto, sem os abraços, devido ao isolamento social.

Também por orientação do São José, a família ficará em quarentena devido a suspeita do pai. Leonardo, porém, fez o exame em uma clínica particular e o resultado foi negativo.

Mesmo que o velório não tenha sido feito, a família optou pela cremação do corpo e planeja uma homenagem. Após a pandemia, as cinzas serão jogadas no mar de Itapoá, como era o desejo do pai.

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