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Com fim do mandato, presidente da CDL em Joinville analisa gestão e comenta desafios da nova diretoria

Marcos Antônio Bittencourt foi eleito presidente da entidade para o biênio 2023-2024

José Manoel Ramos, conhecido como Zeca, foi presidente da Câmara dos Dirigentes Lojista (CDL) de Joinville em dois mandatos, o de 2019-2020 e o de 2021-2022. Ao fim da segunda gestão, ele comentou com a reportagem do jornal O Município Joinville sobre os anos que passou à frente da entidade e os desafios do sucessor, Marcos Antônio Bittencourt, eleito para o biênio 2023-2024.

Chegada a CDL

“Quando chegamos aqui na CDL em 2018, a gente se deparou com uma cidade com muitos mendigos [pessoas em situação de rua], vendedores ambulantes, um Centro já começando a entrar em decadência”, relembra Zeca. Segundo ele, o principal desafio da entidade, ainda no governo de Üdo Dohler, era deixar as obras do rio Mathias fora do Centro da cidade.

Na análise de Zeca, o centro ficou pior após as obras, que foram feitas na região mesmo com as solicitações da entidade. Para o ex-presidente, a piora seria por conta do aumento de pessoas em situação de rua na região, comércio ambulante e os problemas de infraestrutura gerados pelos atrasos de entrega da obra.

Neste momento, o ex-presidente afirma que diversas ideias surgiram, como a volta do estacionamento rotativo, que permite às pessoas frequentarem o Centro. “Não é o ideal, mas funciona bem, não conheço em outro lugar, mas funciona bem em Joinville”, explica.

Já no ano de 2020, uma nova gestão municipal tomou o poder. Na análise de Zeca, o prefeito Adriano Silva (Novo) foi hábil na requalificação da região.

CDL na pandemia

O segundo mandato de José Manoel Ramos como presidente da CDL Joinville foi marcado pela pandemia causada pelo vírus da Covid-19. Para ele, o setor mais prejudicado foi o do comércio, que não pode abrir as portas enquanto a construção civil e a indústria continuaram em funcionamento.

Contrário a medida, Zeca conta que passaram fins de semana escrevendo ofícios para senadores, deputados, governador e outros políticos, solicitando que as normas fossem revisitadas. “Começamos uma batalha infernal”, recorda.

Segundo Zeca, a CDL ganhou espaço para participar das decisões do gabinete de crise, criado pelo poder executivo municipal para lidar com a pandemia. “Nós conseguimos não fechar as portas e a gradativamente ir diminuindo as restrições”, explica o ex-presidente.

Ele destaca que um dos pontos fortes da gestão dele na pandemia foi a articulação de um fretamento exclusivo para o comércio, junto às empresas concessionárias. A medida durou cerca de 30 dias, até que voltaram os coletivos.

Voltado principalmente ao Centro, a CDL Joinville apresentou uma proposta de requalificação da área para a prefeitura. Zeca comemora que algumas sugestões foram acatadas, como a requalificação da Travessa Bachmann, revitalização das ruas que tiveram obras do Rio Mathias e o combate ao comércio de rua clandestino.

“Mais iluminação, de benfeitoria com imobiliários públicos para as pessoas interagirem, descansarem, para as pessoas caminharem mais, cuidar com a acessibilidade e estamos sempre trabalhando com a polícia para garantir a segurança”, explica sobre a proposta feita ao executivo.

Principais projetos

Após dois anos, a Stammtisch Joinville voltou a acontecer em 2022. A tradicional festa é organizada pela CDL e foi vista com muito entusiasmo por Zeca. O evento é um dos destaques do calendário da instituição.

Além dessa retomada, a CDL trocou de sede nos últimos anos. “A gente se lançou um desafio de sair do lugar que a gente estava, alugar uma sede e começar a desmanchar lá”, conta Zeca. A ideia é construir um novo prédio para abrigar a CDL, mais amplo, moderno e com espaços para outras atividades com os associados.

O projeto arquitetônico já está pronto e tem alvará de construção, mas a previsão é que as obras comecem apenas na metade de 2023.

Já o concurso de vitrines e fachadas decoradas para o Natal foi uma contrapartida da CDL Joinville. Zeca lembra que a iluminação de natal do Centro era feita pela instituição, mas como a prefeitura tomou frente, coube a CDL lançar um concurso que incentiva a decoração temática nas lojas do centro da cidade.

“Nesse pós pandemia as pessoas passaram a não fazer muita [decoração], o concurso de vitrine veio para premiar os que fazem, tivemos um bom número, mas muito aquém do desejado. Muitas lojas fizeram para a copa e muita gente não fez mais o de natal, ou fez encimado a hora”, analisa.

“Aprovamos na prefeitura uma nova versão da lei das feiras, que vai sofrer uma nova alteração, que está nas comissões ainda, e agora vamos consolidar com essa alteração da lei das feiras”, completa a lista dos destaques da própria gestão.

Principais desafios

José Manoel Ramos deve continuar na diretoria do CDL Joinville, mas assume cargo de vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina. Para a gestão de Marcos Antônio Bittencourt na cidade, Zeca elencou os desafios e pautas que ele considera importantes para a instituição.

A luta pela duplicação da Ottokar Doerfell, atrair mais associados e começar a obra da nova sede. “Quando a minha gestão terminava, a gente já começou a observar pessoas que tinham espírito de liderança, do associativismo, uma pessoa com ideias inovadoras, e a gente começou a ver no Marcos tudo aquilo que a gente precisava”, conta Zeca.

Sempre de perto, Marcos acompanha as gestões desde 2019, quando Zeca assumiu. “A gente comerciante se concentra dentro do nosso negócio e esquece que existe um município fora das nossas portas. A gente viu a importância de uma entidade dentro de um município, em especial pela fragilidade que estava o comércio do centro de Joinville”, conta Marcos.

O presidente eleito olha para as recentes movimentações no Centro com entusiasmo. “Imagina no próximo ano o que a gente não pode fazer. Dá para ver que o povo absorve bem essas mudanças, o povo respondendo muito rápido”, explica Marcos.

As prioridades da próxima gestão abraçam as expectativas de Zeca e acrescentam ainda o oferecimento de cursos, capacitações e workshops para associados. Além de cobrar a retirada de pessoas em situação de rua do Centro e extinção do comércio clandestino de rua, segundo Marcos.

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