História de dedicação: funcionário símbolo da Empadas Jerke se aposenta após 33 anos
Ex-funcionário relembra momentos marcantes e fala sobre a nova rotina longe do balcão
Ex-funcionário relembra momentos marcantes e fala sobre a nova rotina longe do balcão
Se você já passou pela Empadas Jerke, tradicional casa de empadas de Joinville, é bem provável que tenha sido atendido por Valteli da Silva. Durante décadas, ele foi uma das figuras mais conhecidas da empresa, a ponto de muitos clientes acharem que ele era o proprietário do local. Agora aposentado, Valteli relembra sua trajetória, compartilha histórias marcantes e fala sobre a nova rotina longe do balcão.
Natural de Ilhota, Valteli, que hoje tem 72 anos, chegou a Joinville ainda bebê e cresceu no bairro Saguaçú, onde vive até hoje. Ele trabalhou na Empadas Jerke por quase 34 anos, iniciando na empresa em 1991. Valteli se aposentou em 5 de fevereiro de 2025.
Antes de trabalhar na Jerke, ele já era cliente assíduo. “Eu sempre tive contato com o pessoal da loja, porque eu trabalhava do lado, então era onde eu sempre fazia o meu lanche e sempre vinha tomar cerveja”, conta Valteli. Com isso, ele acabou criando um vínculo com os donos e funcionários.
Em determinado momento de sua carreira, Valteli ficou desempregado. Sabendo disso, o dono da empadaria, Ronaldo Jerke, enviou o filho, Carlos Eduardo Jerke, para convidá-lo a integrar a equipe. Assim, em 5 de fevereiro de 1991, começava a trajetória de quase 34 anos na casa.
Valteli sempre foi reconhecido pelo atendimento excepcional, relatado por funcionários da Jerke e também por clientes. Ele acabou se tornando um símbolo da Empadas Jerke, já sendo confundido diversas vezes com o dono da empresa.
“Todo mundo achava que era eu [o proprietário]. Acho que isso aconteceu porque eu tratava o lugar como se fosse meu, cuidava de tudo com carinho, dos clientes principalmente”, afirma.
“Eu sempre digo que quando trabalhamos nesse ramo, temos dois patrões, um é o que me paga e o outro é o cliente que traz o dinheiro para o meu patrão pagar”, destaca.
Ele conta que sempre procurou fazer o melhor para agradar tanto ao patrão quanto ao cliente. “Ainda assim posso não ter agradado a todos, mas a maioria eu sei que eu agradei, pois sempre procurei fazer o melhor”, complementa.
Entre tantas histórias vividas na Jerke, Valteli relembra momentos inusitados, como o dia em que um grupo de cinco pessoas pediu 100 empadas e comeu 90. Ele ainda conta que conheceu personalidades conhecidas, incluindo políticos importantes e o ator Lima Duarte. “A Jerke é um dos locais mais frequentados de Joinville e um espaço emblemático. Por isso, muitas pessoas importantes passaram por aqui”, comenta.
Ao longo das três décadas que trabalhou no local, Valteli viu a Jerke se modernizar e acompanhou as mudanças. Para ele, a tecnologia foi a transformação mais desafiadora. “Não tinha nada eletrônico quando a loja abriu, mas fui me adaptando e aprendi o básico para trabalhar melhor”, diz. No entanto, uma habilidade se manteve intacta. “Sempre fui muito bom de contas e raramente usava a calculadora”, relembra.
Após 56 anos trabalhando, sendo 33 só na Empadas Jerke, agora ele aproveita a vida de aposentado. Entre jogos de dominó, sinuca e pescaria com amigos, ele celebra a nova fase. “Estou curtindo bastante a minha folga, a minha vida de boêmio”, brinca.
Valteli demonstra gratidão por todos os anos dedicados à Empadas Jerke e pelas pessoas que fizeram parte dessa trajetória. “Agradeço primeiro a Deus por ter me dado saúde para trabalhar durante todo esse tempo, e também à minha família, amigos e clientes, além do Carlos Guilherme Jerke, que me deu essa oportunidade”, conclui.
Um aprendizado que passou de pai para filho e que hoje é sinônimo de qualidade e bom gosto. Assim pode ser resumido o sabor das famosas Empadas Jerke, produzidas desde 1922 em Joinville. O estabelecimento na rua João Colin foi fundado por Guilherme Jerke e sua esposa Carlota Jerke em 1931. Contudo, até adquirir o imóvel, o ex-tecelão e ajudante de confeiteiro Guilherme, que trabalhava de manhã na Lepper, vendia de bicicleta pelas ruas de Joinville as empadas e cocadas que fazia em casa.
Guilherme, o fundador das empadas Jerke, nasceu em Brusque, no final do século XIX, mas foi quando esteve residindo em Porto União, no planalto norte, que ele descobriu a receita das empadas feitas com massa folhada.
“Somos o que somos devido ao empenho e dedicação de meu pai. Para construir este conceito de qualidade, não foi nada fácil”, lembra Ronaldo Jerke, que ao lado da sua esposa Alcinéia S. Jerke e dos filhos Paulo Roberto e Carlos Eduardo Jerke, são os responsáveis pela continuidade do negócio.
Casarão Neitzel é preservado pela mesma família há mais de 100 anos na Estrada Quiriri, em Joinville: