Merenda em Joinville: prefeitura justifica contrato e diz que alunos não terão limite de repetições

Novo esquema de merendas iniciou nesta segunda-feira

Merenda em Joinville: prefeitura justifica contrato e diz que alunos não terão limite de repetições

Novo esquema de merendas iniciou nesta segunda-feira

Yasmim Eble

Após reclamações e dúvidas sobre o novo modelo de merenda na Rede Municipal de Joinville, implementado nesta segunda-feira, 25, a Prefeitura de Joinville divulgou um conteúdo nesta quarta-feira, 27, respondendo algumas dúvidas da população. No texto, a prefeitura garante que todos os alunos podem repetir a merenda escolar.

O assunto tomou conta das redes sociais e as principais reclamações são a utilização de um QR Code para que alunos possam comer e a quantidade de pratos que cada aluno pode pegar.

Crianças e adolescentes em uma fila esperando a refeição. | Crédito: Sinsej/Divulgação

Pais informaram que os alunos teriam sido limitados a repetir apenas uma vez e que em uma escola teriam orientado a utilizar o QR Code do colega para fazer mais uma refeição. Já nesta terça-feira, 26, a prefeitura afirmou que os alunos poderiam comer quantas vezes necessárias.

No contrato firmado com a empresa, consta que os alunos teriam direito a uma repetição. A justificativa da prefeitura é que o limite foi imposto para “ter uma dimensão inicial de quanto alimento seria necessário em todas as 167 unidades”. E completa que “o aluno que desejar poderá repetir até suprir sua necessidade alimentar”.

Crédito: Sinsej/Divulgação

Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville (Sinsej), em publicação feita nesta terça-feira, professores de turmas da Escola Municipal Professora Maria Regina Leal, no bairro Espinheiros, teriam liberado os estudantes dez minutos antes do horário do recreio para que as crianças pudessem pegar a refeição.

O sindicato também alega que os professores precisam entregar as carteirinhas aos alunos, perdendo mais tempo de aula. Conforme o Sinsej, o recreio inicia às 15h54 e vai até às 16h09. O último estudante da fila teria pegado a refeição às 16h06.

“Alguns alunos estavam comendo em pé, na fila, para dar tempo de repetir a refeição. A situação toda é problemática porque para muitos estudantes essa é a principal refeição do dia”, diz o sindicato.

Ainda há relatos de que, após o uso do QR Code duas vezes, o próprio sistema bloquearia uma nova tentativa.

O que diz a prefeitura

Nesta terça-feira, a reportagem de O Município Joinville fez uma série de questionamentos à Prefeitura de Joinville sobre a mudança e as reclamações dos pais.

Quando a resposta foi cobrada nesta quarta-feira, a Secretaria de Comunicação respondeu que um material estava sendo elaborado e seria distribuído à imprensa. O material foi enviado no início da noite. Nem todas as dúvidas da reportagem foram sanadas, portanto, as perguntas foram novamente enviadas e quando houver retorno, uma nova publicação será feita.

Segundo o material enviado, algumas ações diárias estão sendo implementadas com o monitoramento da operação diariamente. Nesta quarta-feira, terceiro dia de funcionamento do modelo, uma reunião on-line entre gestores da Secretaria de Educação e as direções das unidades de ensino reforçou orientações que já teriam sido repassadas, tirou dúvidas e serviu para o compartilhamento de experiências entre as unidades.

A prefeitura garante que o acompanhamento diário da situação em todas três frentes (empresa, unidades de ensino e famílias) vai permanecer durante toda a etapa de adaptação. E afirma que as análises de qualidade e atendimento feitas pelas escolas em CEIs, previstas em contrato, serão contínuas.

Confira as perguntas e respostas enviadas pela prefeitura:

01. Como foi escolhida a empresa que está prestando serviço de merenda?

A definição foi por meio de processo de licitação. A vencedora da concorrência foi a mesma empresa que já atuava nas unidades da Rede Municipal de Ensino. Agora, além de produzir nas Escolas e CEIs e distribuir a merenda, esta empresa também atende às necessidades logísticas, como a compra da maior parte dos alimentos.

02 – Como funciona a carteirinha de identificação para receber a alimentação?

Os alunos ganharam uma carteirinha para ser apresentada antes da refeição. Caso esqueça, o aluno deve informar ao responsável por acompanhar a alimentação. Nenhum aluno ficará sem comer por não portar a carteirinha. Com essas informações, será possível planejar de forma mais eficiente a compras de alimentos, além de respeitar as possíveis especificidades de crianças com restrições alimentares, por exemplo.

03 – É permitido repetir a merenda?

Sim, o aluno pode repetir a merenda. Para fins de contrato, ou seja, para poder ter uma dimensão inicial de quanto alimento seria necessário em todas as 167 unidades, foi considerado um prato mais uma repetição para cada aluno. Como essa é apenas uma média de cálculo, o aluno que desejar poderá repetir até suprir sua necessidade alimentar.

04 – Muda alguma coisa para quem prefere levar lanche de casa?

Não. Nestes casos, a situação continua da mesma forma.

05 – Como relatar alguma situação envolvendo a merenda?

Toda situação envolvendo a alimentação escolar pode ser relatada oficialmente por meio da Ouvidoria da Prefeitura, usando o aplicativo Joinville Fácil, o nosso site ou o telefone 156 entre 8h e 14h de dias úteis. Os registros relacionados com a situação da merenda serão tratados com prioridade.

Outras reclamações

Na terça-feira, 26, o jornal O Município Joinville divulgou o relato de alguns pais sobre a situação da merenda escolar nas escolas municipais da cidade.  Débora, que tem uma filha estudando na escola Padre Valente Simioni, alega que os alunos foram ameaçados de não poderem merendar até o final do ano caso perdessem o cartão.

Outra reclamação é sobre a quantidade de pratos que cada aluno pode pegar. A orientação seria, segundo os pais, de que os alunos poderiam repetir somente uma vez.

Divulgação/O Município Joinville

Débora afirma estar bastante chateada com uma das orientações que a filha recebeu. A mãe diz que a orientação dada teria sido que se a aluna quisesse comer pela terceira vez, teria que pegar o cartão de outra criança que não repetiu. “Ensinando para a criança usar o cartão dos outros, não é certo”, comenta. Segundo a prefeitura, os alunos vão comer mesmo que esquecerem o cartão, basta avisar aos responsáveis na escola.

Para Ivan Rocha, que também é pai de alunos da rede municipal, esta conduta prejudicaria crianças de baixa renda que tem a merenda escolar como a principal refeição do dia. “Falam em lousas digitais, tablets, mas negam prato de comida para crianças que estão na escola e querem comer? Essa lógica me parece bem errada”, opina Ivan.

*Colaborou Isabel Lima e Bernardo Gonçalves

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