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52 anos do AI-5: joinvilense Edgard foi preso três vezes durante a Ditadura

Edgard Schatzmann, hoje com 80 anos, e a esposa Lucia recordam a tortura e as angústias vividas na época

52 anos do AI-5: joinvilense Edgard foi preso três vezes durante a Ditadura

Edgard Schatzmann, hoje com 80 anos, e a esposa Lucia recordam a tortura e as angústias vividas na época

Fernanda Silva

Levar choques e ser queimado com cigarros enquanto se está com as pernas amarradas em uma barra de ferro. Essa foram algumas das torturas sofridas pelo joinvilense Edgard Schatzmann, hoje com 80 anos, que foi preso três vezes durante a Ditadura Militar (1964-1985).

A violência foi mais forte principalmente após o endurecimento do regime com a emissão do Ato Institucional nº 5 (AI-5), que completou 52 anos do domingo, 13. O decreto autorizava o presidente a fechar o Congresso, intervir nos estados e municípios, suspender direitos políticos e cassar mandatos.

“Homens primitivos, sem sentimentos”, diz seu Edgar. Ele e a esposa Lucia Schatzmann, 76, relembra dos dramas e as dificuldades vividas naquele período.

Fernanda Silva/O Município Joinville

Nascido e criado em Joinville, a primeira vez que Edgard “se meteu” com política, foi após o suicídio de Getúlio Vargas. “Fizeram tanta pressão, que ele se suicidou. E eu fiquei pensando, o que levou um homem a chegar a este ponto. Deve ter algo na sociedade. Vou atrás e vou descobrir”, pensou Edgard aos 13 anos.

Em 1954, encontrou o Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Joinville. Jovem, queria aprender sobre política. Participou dos debates e virou militante. Permaneceu no partido até 1994, após a redemocratização.

Ainda na juventude, no início dos anos 1960 na luta pela primeira escola com segundo grau gratuito na cidade. Na época, com menos de 20 anos, trabalhava em um banco e podia pagar um colégio particular de segundo grau.

Foi neste lugar, que um colega incentivou a turma a reivindicar a escola pública. Após a luta e reivindicação estudantil, em 1961, foi inaugurada a Escola Celso Ramos.

Na época, o discurso anticomunista, que também serviu de pretexto para o golpe de 1º de abril de 1964, já era muito forte. “Era chamado de comunista, mas nem sabia o que era comunismo. Pelo o que falavam, devia ser um bicho-papão que come gente”, lembra Edgard, rindo.

Após a conquista do ensino médio gratuito, o jovem não parou mais de sonhar com um mundo justo e igualitário. Tinha o desejo de fazer a universidade e foi para a Rússia por meio de um programa federal, em 1963. Chegando lá, precisava passar por um preparatório e acabou não iniciando o ensino superior.

Três anos depois, já após o golpe militar, voltou ao Brasil, pois também vivia uma ditadura na Rússia. “Era tudo do governo. Não pode ser assim, uma unanimidade. Tem que ter formas diferentes de pensar”, defende.

De volta à terra Natal, foi para Curitiba, onde foi preso pela primeira vez em 1967, após uma manifestação estudantil em solidariedade a outros estudantes presos. Estes, por sua vez, foram para a prisão porque reivindicavam um grêmio escolar.

Na prisão, um ano antes da promulgação do AI-5, não foi torturado fisicamente, mas psicologicamente. “Não deixavam dormir, pouca comida, pão velho. Você não sabia se era dia ou noite. Isso era para deixar a gente louco”, afirma.

Ele sentia que, naquele momento, os militares pareciam envergonhados com o que faziam. Edgard foi solto após conseguir um habeas corpus. Na saída da prisão, um diretor o alertou a sair da cidade, “porque vai piorar”, lembra que ouviu do militar.

Foto de Edgar impressa em um livro. | Foto: Fernanda Silva/O Município Joinville

Acílio

Edgard então se mudou para Lages. Como havia sido preso, precisava de novos documentos para arranjar um bom emprego. Um juiz o ajudou a conseguir uma nova certidão e um novo nome: Acílio Varela Figueiredo.

Artista de teatro, faz jus ao que aprendeu no palco. Fala bem, faz caras e bocas e, em alguns momentos, parece estar encenando uma peça. É assim que relata como conseguiu um emprego em Lages. Sua postura reta em frente ao datilógrafo o garantiu uma vaga no setor pessoal, atualmente Recursos Humanos (RH). “Bicho, vou te contratar só pelo seu jeito de sentar”, lembra que ouviu na época.

Foi como Acílio que Edgard conheceu Lucia Schatzmann, sua esposa. Saída do convento aos 22, conseguiu seu primeiro emprego formal com a ajuda de Edgard, quer dizer, Acílio. “Me simpatizei de cara. Pelo jeito, parecia uma mulher guerreira”, relata o que pensou na época.

Logo, começaram a sair. Edgard foi sincero e não demorou muito para contar a amada sobre suas crenças na luta e do que passou na prisão. Foi no primeiro encontro, um dia frio em que saíram para tomar sopa, lembra Lucia. “Ele contou e quase saiu correndo, tive que segurar”, ri. “Ele me perguntou ‘você sabe quem eu sou?’ e eu disse ‘você é o comunismo’.”

Saída do convento após oito anos e pronta para viver o desconhecido, sabia que junto de Edgard poderia praticar aquilo que sonhava desde pequena, a luta pela igualdade e livre pensamento.

A jovem foi a única em Lages que soube da sua história. Para os demais, Edgard era Acílio. Com o personagem, veio outro problema. Em seus novos documentos, constava a informação de que era “desquitado”, o que era muito mal visto.

“Bicho, começaram a pegar no meu pé no trabalho, só porque descobriram que eu era desquitado”, fala como Acílio, porque Edgard, até então, nunca havia se casado.

Tempos depois, outras pessoas começaram a vir para Lages em busca de mais calmaria durante a ditadura, muitos deles, de Joinville. Edgard passou a ser reconhecido como militante. Negava tudo e começou a se preocupar. A partir disso, decidiu voltar à cidade natal, onde moravam os pais.

Acílio ficou para trás, mas Lucia não. Disposta a lutar, veio junto com ele para Joinville. Foi neste tempo também, na virada de 1969 para 1970, que resolveram se casar.

Criança rebelde

Lucia, aos 76 anos | Foto: Arquivo Pessoal

Nascida no Rio Grande do Sul, Lucia se mudou com a família para Lages, onde viveu a infância, parte da adolescência e juventude. Desde muito pequena já se questionava sobre a desigualdade social.

Se recorda que, por volta dos 10 anos, perguntava ao pai o motivo de algumas pessoas terem casas tão bonitas e fartura, enquanto em outras havia tanta pobreza. O pai, porém, não achava certo questionar, pois sabia que poderiam sofrer consequências.

“Cheguei a apanhar. Meu pai achava que eu ia criar encrenca, mas não era isso, era busca por justiça”, explica Lucia.

Aos 14 anos, foi convencida por um grupo de freiras a ir com a irmã para o convento, pois a prometeram que, no local, fariam ações práticas de ajuda aos mais pobres. Lá, porém, Lucia viu outra realidade. Os planos de ajudar os mais necessitados não era colocado em prática, como foi prometido.

Ela conta que no convento as meninas eram judiadas de tanto trabalhar e ainda eram vigiadas. Limpavam e cozinhavam o tempo todo.

Outro motivo de revolta para ela, foi o fato das freiras servirem grandes banquetes para as mulheres ricas, enquanto os mendigos e mais necessitados, ganhavam restos de comida. “Isso foi me revoltando”, fala com a voz firme.

Ali, já ouvia aquele discurso do inimigo comunista e perigo que poderia trazia para a sociedade. “Eu queria saber o que era esse comunismo, porque não podia ser pior do que o que eu já estava passando”, se recorda.

Menina rebelde, foi transferida para outro convento, desta vez, no Paraná, por volta de 1969. Lucia conta que a colocaram em um veículo e só soube onde estava quando chegou ao local.

Desta vez, a jovem havia feito um acordo com as irmãs: seria mais obediente se pudesse estudar. Deu certo e Lucia passou a frequentar a escola. Foi no colégio que conheceu o irmão de um ex-padre, que havia largado a batina para se casar. Lucia contou a eles sua história, que não falava com os pais há anos e pediu ajuda. Convencidos a ajudá-la, combinaram de se encontrar em uma tarde.

Para sair do convento, porém, a jovem freira precisava de uma desculpa. Na época, disse às madres superiores que estava arrependida dos seus pecados e que iria na igreja para rezar. Naquela dia, escreveu uma carta aos pais, entregou aos irmãos, que se comprometeram a entregar o recado. Dias depois, a família pediu que ela fosse transferida para Lages e que voltasse para casa.

De volta em Santa Catarina, soube que as freiras da cidade haviam informado aos pais que a filha havia morrido, lembra Lucia. A família pediu que ela fosse excomungada como freira. Arrasado pelo o que ocorreu com a filha em seus oito anos de convento, o pai rasgou e jogou fora o documento com a resposta de que o pedido havia sido aceito. “Se fosse hoje em dia, eu teria guardado”, afirma.

Agora, Lucia precisava trabalhar. Entre alguns serviços informais, procurou uma vaga em uma grande empresa da cidade. Foi aí que conheceu Edgard. Na época, ainda se questionava sobre a desigualdade, governo e comunismo. Quando ouviu a história de Edgard, soube que, com ele, poderia finalmente tirar suas dúvidas.

Quando o amado disse que voltaria para Joinville, Lucia não exitou. Apaixonados, vieram juntos para o Norte catarinense, onde moram até hoje.

Preso pela segunda vez

Chegados em Joinville, entre 1969 e 1970, o casal se mudou para a casa dos pais de Edgard, no bairro Bom Retiro. Por ter sido condenado no episódio da manifestação estudantil em Curitiba, achou que não conseguiria emprego, mas arranjou um serviço de ajudante, onde trabalhou por cerca de dois anos.

Nesta época, apesar de continuar crente em suas convicções, estava mais calmo, retraído pelo o que passou e por conta do AI-5, que endureceu a perseguição, censura e violência no regime militar.

“Não podia rir, porque diziam que você estava rindo deles (militares). Não podia ficar sério, porque diziam que você estava escondendo algo”, recorda com seriedade no olhar.

Em um certo dia de 1971, Edgard e Lucia saíram para ir à feira. Lá, perceberam que um homem os encarava. Não estavam errados. Mais tarde, Edgard foi preso e sua biblioteca apreendida. Foram levados livros didáticos, que a família usava para estudar.

Edgard foi levado para a Delegacia de Polícia de Joinville, depois para Florianópolis até que, por fim, chegou a Curitiba. “Estava cheio de presos políticos, jovens, homens, mulheres e velhos. Foi um tempo terrível”, recorda.

Após a prisão, os militares não comunicaram à família de Edgard sobre o paradeiro do militante. Lucia ficou dois meses à procura do marido. Foi em todas as delegacias possíveis. Queria encontrá-lo, vivo ou morto. Entre as idas e vindas em busca do marido, dormiu na rua, comeu pão seco e chegou a ficar sem ter o que comer. “Nunca tinha passado fome na minha vida, mas ali passei”, fala com pesar.

Nas delegacias, os militares incentivavam as mulheres a desistirem dos maridos, negá-los e acusá-los de subversivos. Lucia se negou a atender o pedido. Numa dessas, foi colocada no paredão de fuzilamento. “Vamos dar fim em você”, ouviu dos policiais. Naquele momento, a jovem pensou na família, o que a manteve firme e com coragem.

Ali, viu pessoas serem mortas ao seu lado. Também quase morreu. Quase, porque a ela foi dada a chance de ir embora. Os militares sabiam de seu histórico na igreja e a vida que levou como freira. Foi o que a salvou, conta.

Dois meses depois, finalmente encontrou Edgard, com a ajuda de seu advogado. “Era só pele e osso”, lembra Lucia. Após o reencontro, a esposa vinha o visitar com frequência e fez amizades com as famílias de outros presos políticos.

Mais uma vez, com a ajuda do mesmo advogado, o joinvilense conseguiu ser transferido para a delegacia de Joinville, o que facilitava as visitas, pois estaria na mesma cidade que a família.

Convivência na prisão

Nesta segunda prisão, com a vigência do AI-5, o joinvilense sofreu com xingamentos e com a tortura. Como sabia que precisaria passar tempo ali, já que a lei proibia o habeas corpus e, consequentemente a soltura, tentou conversar com o pessoal que atuava no local, tentar tornar a vivência menos sofrida.

“Sou muito comunicativo, é da minha personalidade”, explica com orgulho. Foi assim que fez amizade com um dos chefões da delegacia e, a partir disso, começou a ser tratado um pouco melhor por aquele militar.

Descobriu mais tarde, que alguns dos policiais se sentiam mal com a violência empregada no local. Também soube que o comandante com quem fez amizade, era casado com uma colega que havia participado das manifestações pela escola pública em Joinville nos anos 1960. Edgard acredita que isso tenha favorecido, de certa forma, a sua convivência na prisão.

No tempo que ficou local, também conheceu presos comuns. Muitos não sabiam ler ou escrever. Edgard teve a ideia de ensiná-los. Houve resistência do comandante, que temia que, com isso, os detentos fossem politizados. Porém, a insistência e, novamente, a comunicação do rapaz, convenceram a chefia e ele pôde trabalhar na alfabetização daquelas pessoas.

Datilógrafo experiente, cobriu as férias da jovem responsável pelo cartório da delegacia. Depois disso, teve permissão de trabalhar fora e voltar para a prisão apenas para dormir, no regime semiaberto. Era o que fazia, até que o comandante o avisou que, depois de um tempo, não precisaria mais voltar, que poderia ficar em casa de uma vez por todas. Neste período, Edgard já estava prisioneiro do exército há cerca de dois anos e meio.

Operação Barriga Verde

Foto impressa em um livro. Prisão de Edgar na Operação Barriga Verde | Foto: Fernanda Silva/O Município Joinville

Quatro anos depois da segunda prisão de Edgard, foi deflagrada a Operação Barriga Verde. O objetivo, conta o joinvilense, era desarticular a esquerda e prender os principais nomes do movimento contra a ditadura. Edgard foi um deles.

Naquele 5 de dezembro de 1975, Lucia estava em casa quando um homem bateu em sua porta e pediu para falar com o marido. Ela, por sua vez, já desconfiada, disse que ele teria ido viajar.

A resposta, infelizmente, não foi o bastante. O homem foi à procura de Edgard no trabalho. Quando o joinvilense chegou na empresa para o expediente, foi encapuzado e raptado. Foram os colegas trabalhadores que avisaram Lucia sobre o ocorrido.

Naquele instante, a esposa deixou a pequena de um ano e meio, primeira filha do casal, com o sobrinho de sete anos, e saiu para fazer ligações. Ela recorda com detalhes do dia. Moradores do bairro Bom Retiro, precisou se deslocar a pé até o final da rua João Colin para conseguir usar o telefone público e conseguir informações de Edgard.

Ao voltar para casa, encontrou uma bagunça, tudo havia sido revirado, o colchão do bebê estava rasgado e o sobrinho assustado, com medo. Os militares haviam levado Edgard até a casa e revistaram todo o lugar. Levaram livros didáticos. Por sorte, diz Lucia, os documentos e livros que poderiam os comprometer, que falavam sobre resistência, estavam escondidos no sótão.

Edgard (à dir.) durante a prisão em Florianópolis. Foto impressa em livro | Foto: Fernanda Silva/O Município Joinville

De Joinville, Edgard foi para uma prisão em Canasvieiras, em Florianópolis, onde ficou por quase um ano. Ali, foi torturado. Os métodos variavam. Eram queimados com cigarros, colocados no pau de arara e recebiam choques em todas as partes do corpo. “Se não tiver a cuca forte, você pira”, afirma.

Dos sobreviventes, muitos ainda vivem o medo daquela época. “Se você quer conversar sobre isso, eles se escondem”, relata Edgard.

Enquanto isso, Lucia, continuou na luta pela libertação do esposo, junto com outras famílias. “Mulheres muito guerreiras”, destaca.

Na época, obtiveram ajuda do prefeito da capital e do governador para encontrar os familiares presos. A situação triste e desumana marcou a memória de Lucia. “Chegamos lá e era muito desespero, foram muito torturados”, conta.

Nesse período, além das idas e vindas para visitar Edgard, a gaúcha ainda tinha que cuidar da família. Foi quando a filha pequena ficou doente. Lucia a levou ao médico que, por sua vez, explicou que, na verdade, o que a bebê sentia era saudades do pai. A mulher teve que insistir muito e lutar para que a criança pudesse entrar na prisão e visitar Edgard. E conseguiu. “Reconheceu ele de longe”, lembra.

Histórias da prisão

Presos da Operação Barriga Verde, foto impressa em livro | Foto: Fernanda Silva/O Município Joinville

Edgard se recorda com detalhes de tudo o que passou e, por conta disso, não pôde deixar de falar sobre uma de suas histórias na prisão. O governador da época, Antônio Carlos Konder Reis, apesar de apoiar a ditadura, enviava escondido uma boa alimentação para os presos políticos. Era aos domingos, conta rindo, o grande dia que ganhavam churrasco e bebidas. Podemos dizer que, talvez, este era um dos poucos momentos de alívio na prisão.

Numa dessas, os presos resolveram convidar Konder Reis para uma visita. Enviaram uma carta. “Escrevemos e chamamos de ‘excelentíssimo’”, ri. O governador, por sua vez, respondeu o convite e contou que foi proibido pelos militares de ir ao local. O motivo? “Disseram que os presos eram perigosos e que comunista come gente”, conta Edgard, rindo da imaginação dos ditadores.

Com a proibição, o governador não foi até os presos na época, porém, mais tarde, após a libertação dos detentos, Konder Reis chegou a receber aqueles que quiseram visitá-lo.

Edgard foi um dos últimos a ser libertado da prisão, em 26 de outubro de 1976, lembra Lucia, com exatidão. Apesar da violência e traumas sofridos, ambos continuaram a lutar. Naquele momento, sentiam que os movimentos dos operários e pela liberdade já estavam enfraquecendo o regime militar, que chegou ao fim em 1985.

Aos 80 anos, Edgard acredita que a luta precisa continuar. Para ele, as pessoas estão domesticadas a acreditar em tudo sem questionar, quem está no poder tem muito dinheiro e a religião é usada para controlar e acalmar os ânimos, opina. “Se despertar (o povo), podem derrubar ele (o governo).”

Lucia concorda. Ela também acredita, pelo o que viu no convento, que tanto a religião quanto os governantes, trabalham para a manutenção da miséria. Hoje, ainda sonha com o dia em que todos serão iguais, com condições de vida digna, sem desemprego e fome.

Nos momentos de aperto durante a ditadura, foram esses pensamentos, de esperança, que mantiveram ambos firmes e com coragem para continuar.

Suas duas filhas e os três netos, seguem os valores e projeto de mundo de Edgard e Lucia. Mas a história não fica só entre a família. O casal acha importante denunciar a violência sofrida e falar com orgulho da resistência dos considerados rebeldes.

“Precisamos denunciar. Machuca lembrar, mas é preciso, para que nunca mais aconteça”, afirma Lucia.

Lucia e Edgard durante depoimento na Comissão Municipal da Verdade | Foto: CVJ

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