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Relatos de abuso sexual em Joinville viram um dos assuntos mais comentados do Twitter

Campanha #ExposedJoinville teve mais de 10 mil tuítes

Relatos de abuso sexual em Joinville viram um dos assuntos mais comentados do Twitter

Campanha #ExposedJoinville teve mais de 10 mil tuítes

Um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta quinta-feira, 28, é a #ExposedJoinville. Com intuito de expor casos de abuso sexual e assédios que ocorrem na cidade, a hashtag teve 10,6 mil tuítes até às 14 horas e entrou para o trending topics da rede social.

Uma jovem de 18 anos, ajudou a subir a hashtag no Twitter e explica que o movimento começou fora da cidade. Primeiro viu acontecer em Florianópolis, depois Curitiba e Londrina.

“Talvez tiveram até outras cidades que não houve aderência e não apareceu na timeline. Aqui, bastante gente tentou subir o assunto, inclusive eu tentei várias vezes, mas é difícil ter coragem para falar de temas tão delicados”, relata a menina.

Após ter tomado grandes proporções em outras cidades, as meninas começaram a utilizar a hashtag para relatar casos ocorridos na cidade, conta a estudante. Mas ela acredita que é difícil o assunto ter engajamento por causa da gravidade.

“Após contar o meu relato, tive diversas mensagens de apoio. Sei que tem muitas que sofreram algum tipo de assédio e não falaram nada, mas ver essa repercussão toda faz com que elas não se sintam sozinhas”, afirma.

Medo e vergonha

A jovem sofreu abuso em 2018, mas só teve a coragem de expor o caso neste ano. Ela conta que não se lembra com detalhes o que aconteceu naquela noite, de como foi parar dentro de um carro, mas consegue lembrar perfeitamente do rosto do agressor.

“Eu tinha dado um fora nele no início da social, mas ele insistiu […] só (lembro de) flashs dele por cima de mim, e não conseguia lembrar de mais nada, a não ser uma hora que não estávamos mais só nós dois no carro, tinha mais gente na frente, eu falei que tava enjoada, ele ficava me acariciando no rosto”, diz o relato.

Ela diz que, por mais que entenda a gravidade do assunto, ainda é estranho se considerar vítima de assédio.

“É estranho, demorei um ano pra contar para as minhas melhores amigas, e ainda quando eu conto parece que não tem nada de mais, ou que tenho culpa, algo do tipo, sabe?”.

“Contra Assédio Joinville”

A conta no Instagram Contra Assédio Joinville foi criada em 2018 por Edna Thayná Peirão, 17. A estudante conta que criou o perfil com intuito de dar suporte e ouvir mulheres que passam por situações de assédio e abuso no dia a dia e não conseguem expor a situação por vergonha ou medo.

Edna explica que há relatos desde cantadas na rua até violência sexual. As mulheres não precisam necessariamente se identificar e isso, para ela, faz com que as meninas sintam-se mais à vontade para relatar os casos.

“Criei a página logo após ser assediada em um ônibus e não ter provas para denunciar legalmente o agressor. Pensei que deveria ter algum lugar para denunciar esses casos de assédio aqui na cidade, aí eu criei o perfil”, explica.

Além de expor os casos e preservar as vítimas, a página também tem o intuito de possivelmente identificar o agressor. Edna conta que, em três situações, as mulheres fizeram relatos parecidos sobre um homem com uma moto vermelha que as assediava. Batendo as informações, descobriu que se tratava do mesmo sujeito, que foi denunciado.

“Os casos são filtrados antes de serem postados. Os casos que têm informações suficientes, encorajo a procurarem a Delegacia da Mulher ou fazer boletim de ocorrência online”, diz.

Segundo Edna, a maioria das meninas que procuram a página para expor seus relatos têm entre 15 e 24 anos. Ela também afirma que, na maioria das vezes, o assédio acontece na rua, onde as jovens recebem cantadas ou são até perseguidas.

Provas dos crimes

A delegada da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami) de Joinville, Cláudia Lopes Gonzaga, explica que há casos em que os crimes sexuais são perpetrados apenas entre a vítima e o agente, portanto, ter provas sobre o crime é uma questão relativa.

“Dessa forma, provar cabalmente  que o crime aconteceu é difícil. Então, utilizamos indícios de que o fato ocorreu. A prova e a responsabilização cabe à polícia ou à justiça. Denunciar é a principal coisa a se fazer”, explica Cláudia.

A delegada explica que há muitas tipificações para crimes sexuais, mas, dependendo da infração, a pena pode chegar a 30 anos.

Quando uma jovem, por mais que tenha mais de 18 anos é abusada sob efeito de álcool, por exemplo, de acordo com a delegada, o crime é considerado estupro de vulnerável.

“É a mesma tipificação  para criança, pois a pessoa nesta situação não tem discernimento”, explica.

Por mais que o apoio psicológico e suporte sejam importantes, a delegada entende que a melhor forma de combater a violência sexual é denunciando o agressor.

A denúncia pode ser feita pessoalmente na Dpcami, que fica na rua Dr. Plácido Olímpio de Oliveira, bairro Bucarein; por meio de registro de boletim de ocorrência no site da Polícia Civil; pelo número 190 ou até mesmo pelo WhatsApp disponibilizado durante a quarentena, pelo número (48) 98844-0011.

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