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Transtornos mentais no trabalho: mulheres são a maioria das vítimas em Joinville; confira dados

Psiquiatra avalia que falta de valorização e ambientes competitivos geram danos à saúde mental

Transtornos mentais no trabalho: mulheres são a maioria das vítimas em Joinville; confira dados

Psiquiatra avalia que falta de valorização e ambientes competitivos geram danos à saúde mental

Thiago Facchini

Dados do Ministério da Saúde mostram que as mulheres são as maiores vítimas dos transtornos mentais relacionados ao trabalho em Joinville. Entre 2018 e 2022, foram 149 vítimas mulheres, número que representa praticamente o triplo em comparação aos homens, que totalizam 56 no mesmo período.

Estes transtornos mentais estão relacionados a situações que envolvem o processo de trabalho. Cobrança de produção, esforço excessivo, relações ruins com chefe e colegas, humilhação, desequilíbrio entre esforço e recompensa são algumas das causas.

O psiquiatra José Marcelino, que faz parte do corpo clínico do Hospital Dona Helena, diz que há uma pressão social grande sobre as mulheres, o que leva elas “a dar conta de tudo”. José comenta que, além do trabalho, há os afazeres domésticos, o que resulta em menos atividades de lazer às mulheres.

“Quando falamos do público do sexo feminino, não é uma regra, mas é o mais comum que elas acabem possuindo cargas de trabalho muito exaustivas”, afirma. O psiquiatra entende que isso está mudando aos poucos, mas crê que a pressão social ainda existe.

Funcionários que prestam serviços gerais como auxiliar em Joinville, sem especificidade por área, são as maiores vítimas dos transtornos mentais relacionados ao trabalho desde 2018, quando analisados os números por cargo. Há 16 registros que envolvem a função.

José relata que há uma relação direta entre os auxiliares e a pressão imposta pelas pessoas no qual eles são subordinados. “O problema de relacionamento com líderes e gestores despreparados causa um adoecimento grande”, pontua.

Motorista de diversos tipos de veículos foi a segunda função em que mais houve registros, sendo 11. Vendedor e técnico possuem oito registros cada. As funções de segurança, professor e gerente fecham a lista das cinco primeiras com seis registros.

Transtornos mentais no trabalho por função (2018 a 2022):

1º Auxiliar: 16 registros
2° Motorista: 11 registros
3° Vendedor e técnico: oito registros
5° Segurança, professor e gerente: seis registros
8° Cozinheiro: cinco registros
9° Zelador: quatro registros

O ano de 2018 foi o período em que houve menos registros nos últimos cinco anos. Oito mulheres e três homens entre 35 e 49 anos foram a maioria do total de 20 casos. Já em 2019, ano com maior número total de notificações, foram contabilizadas 67 notificações na cidade, sendo o público entre 20 e 34 anos o mais afetado.

Em 2020, houve queda nos números. O público entre 20 e 34 anos foi novamente a maior vítima dos transtornos mentais. Foram, ao todo, 40 casos no ano que marca o início da pandemia da Covid-19 no Brasil.

Em 2021, os números foram semelhantes em relação ao ano anterior. Foram 42 casos notificados pelo Ministério da Saúde. A faixa etária entre 20 e 34 anos também foi a mais afetada. Por fim, 36 casos foram registrados em 2022 e o público entre 35 e 49 anos é a maioria das notificações.

Os dados mostram que, de 2019 para 2020, houve uma considerável queda nos números. A pandemia começou no início de 2020, o que levou muitos trabalhadores ao home office.

Estudos divergem

Há diversos estudos que abordam tanto os benefícios, quanto os malefícios do home office. Para o psiquiatra, com o passar do tempo, foi possível notar que o trabalho de casa não contribuiu com a redução do estresse.

“A gente tende a pensar que, quando a pessoa migra do trabalho no escritório para o home office, ela pode ter uma diminuição da carga emocional e de pressão que o trabalho envolve. Porém, a longo prazo, isso se mostrou pouco sustentável”, opina.

Uma pesquisa do LinkedIn realizada em abril de 2020, na época da pandemia, mostra que 62% das pessoas ficaram mais ansiosas a partir do trabalho remoto do que antes. O levantamento da maior rede social profissional do mundo foi divulgado pela Agência Brasil.

No entanto, também há quem diga que o trabalho remoto tem sido benéfico tanto para os trabalhadores, quanto para as empresas. Um artigo publicado na Fundação Getúlio Vargas (FGV) menciona um estudo feito por Nickolas Bloom em 2022, no qual ele identificou que as empresas notaram que com o trabalho remoto passaram a perder menos funcionários e os feedbacks de satisfação com o trabalho aumentaram.


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