Assassinato de adolescente em Blumenau volta a ser assunto nacional 13 anos após crime

Gabriel Kuhn foi morto por um amigo durante uma briga envolvendo um jogo

Assassinato de adolescente em Blumenau volta a ser assunto nacional 13 anos após crime

Gabriel Kuhn foi morto por um amigo durante uma briga envolvendo um jogo

Redação

Um assassinato que chocou Blumenau há mais de uma década voltou a ser notícia no Twitter nesta semana. No aniversário de 13 anos da morte de Gabriel Kuhn, na época com 12, foi assunto de um perfil especializado em criminologia.

A página Crimes Reais, que acumula mais de 342 mil seguidores, fez uma thread (uma série de tweets, também conhecida como fio) na última quinta-feira, 23, com detalhes do caso. A divulgação nacional do homicídio levou muitos jovens a comentarem a brutalidade do homicídio.

A reportagem entrou em contato com a delegada responsável pelo caso na época. Hoje aposentada, Rosi Serafim afirma que foi um caso que marcou sua carreira e também toda a comunidade.

“Foi uma ocorrência que abalou bastante Blumenau. Foi marcante para nós, como policiais, para a família dos dois e pela comunidade que conhecia os jovens”.

O vizinho e até então considerado amigo, de 16 anos, confessou o crime. Ambos moravam no bairro Velha Central e costumavam jogar juntos. Em uma discussão, o adolescente estrangulou Gabriel. Ao ver o menino desacordado, ele tentou esconder o corpo.

Foi a atitude tomada pelo adolescente em seguida que marcou o caso. Com uma faca e uma serra, ele tentou cortar fora as pernas do menino. A imagem de Gabriel mutilado chegou a ser registrada por uma testemunha e um inquérito policial foi aberto para investigar quem espalhou as fotos.

“Hoje tudo que acontece está nas redes em fração de segundos, mas naquela época os celulares estavam começando a ter câmera. A pessoa, sem cautela e sensibilidade, divulgou as imagens. Aquilo só causou mais dor às famílias”, relata Rosi.

O corpo de Gabriel foi encontrado na casa do vizinho pelo irmão mais velho dele. O crime ocorreu durante a manhã, quando os pais dos meninos estavam fora a trabalho. O infrator ficou internado até completar 18 anos.

“É uma marca pra vida”

Apesar de não saber se as famílias continuaram em Blumenau, a delegada reforçou o quanto o ocorrido abalou os pais de ambos. Ela se refere a eles como “pessoas de bem”, que viram a rotina mudar em uma fração de segundo.

“Certamente até hoje eles sofrem com isso. Tanto a mãe que perdeu o filho quanto a que viu o filho ir preso. É uma marca pra vida”, diz.

A cena marcou também a delegada, que atuava na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Blumenau. Após passar por Brusque, hoje ela está na delegacia de Gaspar.

Apesar de saber que se tratava de um homicídio envolvendo dois adolescentes, ninguém esperava encontrar as pernas de Gabriel serradas. Segundo ela o levantamento no local foi demorado, e muito triste.

“É o tipo de ocorrência que a gente sofre. Porque temos que fazer nosso trabalho, mas vemos aquelas mães e as famílias buscando uma resposta. É uma ocorrência que te marca”, desabafa.


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