Homem vítima de tentativa de homicídio em 2020 é encontrado morto em praia de Itajaí

Justiça definiu na semana passada que julgamento de tentativa de homicídio será em Tribunal do Júri

Homem vítima de tentativa de homicídio em 2020 é encontrado morto em praia de Itajaí

Justiça definiu na semana passada que julgamento de tentativa de homicídio será em Tribunal do Júri

Jotaan Silva

O corpo de André Perini, de 51 anos, foi encontrado boiando no mar da praia de Cabeçudas, em Itajaí, na segunda-feira, 12, véspera de feriado. O mesmo homem havia vítima de uma tentativa de homicídio no ano passado, quando estava em um albergue municipal de Brusque, no Vale do Itajaí.

O Instituto Geral de Perícias (IGP) ainda está realizando exames para confirmar a causa da morte de André. Há dificuldades, já que o corpo foi encontrado com rigidez cadavérica.

André era natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul e não portava documentos quando foi localizado.

Por coincidência, na última sexta-feira, 8 de outubro, houve uma atualização sobre o caso de 2020. A Justiça determinou que os três agressores que tentaram matar André irão para o Tribunal do Júri. A data do julgamento ainda não foi marcada.

Tentativa de homicídio

André foi esfaqueado no albergue municipal, em Brusque, mas sobreviveu. O crime ocorreu em 4 de outubro de 2020. Tanto a vítima quanto os três agressores eram moradores do local.

A sentença estipula que eles serão julgados por tentativa de homicídio. Para a Justiça, a motivação do crime foi o fato de André ser homossexual.

De acordo com o relatório do processo, Altair Roncáglio Júnior, conhecido como Júnior; Jozias Orlandi, chamado de Cabelo, e Rafael Borges Pereira, que tinha o apelido de Pequeno, eram moradores de rua, assim como a vítima.

O crime no albergue

Tudo começou quando, na manhã do dia 4, um dos acusados iniciou uma discussão com André, pois acreditava que ele teria abusado sexualmente de crianças, chamando-o de pedófilo. Além disso, acusavam-no de ter, supostamente, feito propostas sexuais a outros moradores do albergue.

Após o início da briga, todos foram para a parte de trás do albergue onde três homens agrediram André com socos e chutes. No relatório da sentença, cogita-se a possibilidade de que tenha sido introduzido um objeto no ânus da vítima – o que foi apontado como inconclusivo no laudo pericial, que nem descartou nem confirmou a hipótese.

Após os socos, um dos homens esfaqueou a vítima nas mãos, no rosto e no pescoço. Acreditando que ele já estava morto, jogaram-lhe ribanceira abaixo, ainda na parte de trás do albergue, que fica em um morro na subida que dá acesso ao Samae, no Centro de Brusque.

Porém, um dos moradores do albergue deu falta da vítima e o avistou caído no chão. Um funcionário do albergue acionou o socorro para resgatá-lo. Ele foi internado na UTI por vários dias e acabou sobrevivendo.

A motivação

O juiz Edemar Leopoldo Schlösser, da Vara Criminal de Brusque, negou aos acusados o direito de recorrerem em liberdade e, com isso, eles devem continuar presos na UPA. Na sentença, o magistrado faz referência ao fato do crime ter motivação homofóbica.

“Anota-se que o crime foi cometido por motivo fútil, totalmente desprezível, uma vez que a tentativa de morte foi planejada e executada devido ao fato da vítima ser homossexual e estar fazendo propostas aos demais para manterem relações consigo, além de o fato de eles pensarem que ele era “pedófilo” e teria abusado de crianças”, diz.

Na investigação da Polícia Civil, também é mencionado que o principal fato apontado para o crime teriam sido as propostas de relacionamento sexual feitas pela vítima aos outros moradores. Em interrogatório, no entanto, André sempre negou tê-las feito.


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