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Manifestantes realizam ato contra o racismo em Joinville

Cerca de 50 pessoas usando máscaras e portando cartazes lembraram casos de violência policial contra negros

Manifestantes realizam ato contra o racismo em Joinville

Cerca de 50 pessoas usando máscaras e portando cartazes lembraram casos de violência policial contra negros

“Por que atirou em mim?'”. “Estou com medo de ficar aqui”. “Não consigo respirar”. Foi com as frases de Douglas Martins Rodrigues, assassinado quando tinha 17 anos pela Polícia Militar de São Paulo, em 2013, João Pedro, 14, morto com um tiro de fuzil pela PM do Rio de Janeiro em maio deste ano e George Floyd, 46, morto há nove dias asfixiado pela polícia de Minneapolis, Estados Unidos, que o ato contra o racismo em Joinville teve início, na noite desta quarta-feira, 3.

Os manifestantes, cerca de 50 pessoas, aos gritos de “vidas negras importam”, com cartazes que sinalizavam as pessoas negras que foram mortas pela polícia, inclusive da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018, pediam o fim da violência policial contra pessoas negras.

Para o manifestante Kauã Amorim, 20, o que causou a comoção mundial e deu início às manifestações foi a morte do americano George Floyd, mas explica que o movimento negro no geral já vinha se manifestando há tempo.

“Estamos nas ruas faz tempo, mas precisou deste acontecimento trágico para mais pessoas aderirem ao movimento e entenderem a luta”, afirma o estudante de psicologia.

Ele reconhece a importância desse movimento que ganhou grande repercussão e acredita ser ainda mais importante em Joinville que, em suas palavras, é uma cidade racista. Desde que começou a frequentar a escola, de acordo com Kauã, passou a sofrer com o preconceito diariamente.

Sabrina Quariniri/O Município Joinville

“Joinville é completamente racista. As pessoas atravessam as ruas, escondem as bolsas e trancam as portas. Pode perguntar pra qualquer negro aqui, todos já sofreram racismo.  E a gente vai continuar se manifestando até isso acabar”, diz.

Isadora Silva, 22, faz parte do grupo de poesia Slam Joinville, e afirma que o Brasil todo é um país racista. Para ela, se manifestar é uma forma de representar e lembrar todas as pessoas negras que foram mortas.

“É pra mostrar que o povo preto não está sozinho. Estão nos matando inocentemente e não há punição. Enquanto não pararem de nos matar, a gente não vai se calar”, afirma.

Pedro Davi, 21, é branco e diz que marcou presença no ato para lembrar que a luta contra o racismo é coletiva, e não apenas dos negros.

“Não basta não ser racista, temos que ser antirracistas”, citando a famosa frase de Angela Davis, ativista norte-americana.

Rota da manifestação

O ato, que começou por volta das 18h, teve pouco mais de uma hora de duração. Partindo da Praça da Bandeira, no Centro, os manifestantes passaram pelas ruas 9 de março, Princesa Isabel, Dr. João Colin, Blumenau e Mário Lobo, até retornarem à praça para finalizar o protesto. Teve chuva durante a maioria do trajeto.

Sabrina Quariniri/O Município Joinville

Durante a caminhada, os militantes paravam em frente aos carros, nos semáforos, para expressar palavras de ordem. Na parada da ruaDr. João Colin, um motoqueiro quis avançar o sinal, acelerou a moto e entrou em confronto com os manifestantes.

Um dos policiais que acompanhava o ato teve de conter o homem, dizendo “respeite a manifestação. Para que essa palhaçada?”, questionou o PM.

Em resposta às buzinas dos motoristas, o grupo gritou: “recua, fascista, recua”.

Medidas de prevenção

Conforme nota da organização, por medida de segurança contra o coronavírus, apenas alguns integrantes de cada grupo foram convidados a participar do ato.

Além disso, os manifestantes foram orientados a manter distanciamento entre eles, utilizar máscaras e frascos de álcool em gel foram disponibilizados durante a manifestação.

De acordo com o comandante do 8° Batalhão da Polícia Militar, Celso Mlanarczyki Junior, a manifestação já estava prevista para acontecer e, embora tenha tido palavrões,  não houve qualquer indício de quebra da ordem.

Sabrina Quariniri/O Município Joinville

Ainda conforme o comandante, a PM esteve presente para garantir que outras pessoas que pudessem ser contrárias ao movimento não entrassem para confronto. A polícia contabilizou 47 pessoas na ocasião.

“Pudemos observar que todos estavam utilizando máscaras e, embora teve o uso de palavras hostis em certos momentos, não houveram atos de hostilidade contra comércios e outros locais. É o que a gente espera de uma manifestação, que seja respeitado o princípio e o direito do cidadão”, disse.

 

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